quarta-feira, 11 de Fevereiro de 2009

Definição de Saudade




Vazio imposto e persistente que resiste, encoberto por sentimentos mistos de ingénua felicidade e mágoa fingida. Falta concreta de tudo e necessidade abstracta de nada. Resistência pacífica à mudança, toldada por uma lágrima silenciosa, perdida ao som de uma música esquecida. Impulso involuntário de prosseguir no sentido inverso, reforçado pela coragem frívola, virtual talvez, de retomar no ponto deixado.
A saudade é o sentimento que ainda perdura e os anos não apagam, fruto da incapacidade de admitir o erro e procurar o perdão.

quarta-feira, 22 de Outubro de 2008

Passado


Porque estará presente em todas as suas formas e sombras. Viverá como sempre o fez no seu subconsciente e influenciará como sempre o seu futuro, marcando para sempre o seu rosto. O tempo é relativo e o passado a acção imperfeita e inacabada, estando sempre marcado pela dúvida atraiçoada. A dor é relativa no seu tempo e magnitude. A certeza de ontem será a questão de amanhã, e em nada isso modificará o passado.


Porque o passado nunca muda, apenas se torna relativo.

sexta-feira, 25 de Julho de 2008

Amor....

Qual o significado de amar? Qual o significado de adorar? Qual a necessidade de amar e ser amado? Porquê a necessidade quase carnal de sofrer brutalmente nas mãos de um carrasco bondoso? Será a conjugação de paciência por si só suficiente? Amar é a necessidade de sorrir à morte e vibrar emotivamente com cada mutilação. O sentimento que aquece e esfria com uma simples palavra, o sentir do corpo, que pulsa loucamente de afecto num minuto e no outro se esvai em ódio. O gasto espiritual de que todos fogem e todos procuram. O terrível sentir do calor humano que acaricia e vicia o ser, o cheiro disperso e difuso de uma fragrância conhecida em tempos e esquecida nos recantos reconvindos da mente, o beijo fugitivo de uma noite, o trocar de olhares quebrado pelo pranto da separação abrupta e injusta, muitas vezes dissimulada. Talvez amar seja só um misto de infortúnios.

quinta-feira, 24 de Julho de 2008



As lágrimas rolaram-lhe livremente pelo rosto, sem que ela as detivesse ou fizesse por tal. Permaneceu quieta, isenta de reacção, com o olhar preso no vazio e indefinido quarto. Uma melodia soava-lhe aos ouvidos, distante. Não reconhecia o que ouvia, nem sabia se realmente ouvia, ou se o som era fruto colhido de sua imaginação. Talvez fosse melhor não reconhecer, talvez fosse apenas o impreciso fosse necessário.
Os seus pensamentos vagueavam longe dali, solitários, confusos, perdidos nos recantos escuros das trevas demoníacas da sua mente.
A luz da vela que iluminava tenuemente o quarto morria lentamente, embalada pela mesma melodia desconhecida, indistinta, mortífera.

quarta-feira, 23 de Julho de 2008

Ser escritor




Ser escritor. Ser escritor é ser diferente. É ser humano mas ser Deus. É ver o terreno de um ponto de vista superior. É sentir os sentimentos. Ser poeta na prosa corrida, estar apaixonado pela ideia de puder estar apaixonado. É sentir as gotas da chuva fria como as lágrimas de um amigo. É viver sozinho no meio da multidão. É ser louco e ser considerado genial. É ser genial e ser considerado louco. É a liberdade de explorar todo o mundo e todas as emoções sem sair do mesmo sítio. É a autonomia de respirar as próprias sensações sem que outros as saibam. Ser escritor é ser distinto entre muitos, ser igual na diferença e díspar na igualdade. Ser escritor é esperar que todos durmam para puder criar sozinho a sua obra. Ser escritor é ser sensível. É chorar quando está alegre e rir perante a tristeza. É ser dissimulado e moldar as emoções. É escrever as lágrimas que os olhos não derramam. É dizer que tudo lhe corre bem, mesmo antes do Apocalipse. Ser escritor é morrer lentamente pela obra que nunca sairá do seu segredo.